Oh, meu bom jovem... Por que juras que és o mais forte? Ainda lhe resta muito tempo para descobrir o quão inconsequente se tornarás. Talvez seja encontrado afogando as primeiras mágoas num certo bar da cidade. Sairá de lá após bebericar algumas cervejas, cheirando a cigarros de estranhos, e acabará por se perguntar o porquê da vida ser cruel ao ponto de lhe causar uma dor tão irracional.
Após longos anos, ao recostar-se numa cadeira qualquer, recordará os ditos e sentirá infelicidade e amargura por não ter conquistado a sorte.
Restarão, então, desagrados da juventude. Restarão, até, mágoas para serem descontadas ao primeiro que vier à vista.
Oh, sábio senhor... Por que acreditas ser o único que conhece da vida? Não passas de pedaços de carne velha e gasta tentando recriar história. Uma história que só poderá se fixar dentro de um antigo livro, de páginas amareladas e com a escrita gasta. Talvez possua conhecimento o bastante para sentir-se no dever de dar puxões de orelha em seres mais fracos. E isso só provará o quão tolo és e sempre foi.
Após pouco tempo, cairá em si, dando-se por conta do tempo que perdeu julgando e esquecendo-se de julgar-se.
Restará, enfim, apenas uma taça de vinho e uma lareira acesa em dias frios. Restará, ainda, a solidão. Aquela que, posterior a todas suas cabeçadas na parede, se tornará uma fiel companheira.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Rabisco tortuoso
Queria eu pronunciar belas palavras, ser sábia aos teus olhos. Queria eu contemplar toda a tua magnitude, todo o teu esplendor.
Mas sou apenas uma, pequena entre tantas. Uma sozinha.
Sou apenas rascunhos em tua folha de papel.
Mas sou apenas uma, pequena entre tantas. Uma sozinha.
Sou apenas rascunhos em tua folha de papel.
De verde forte e falso e vivo e raro
Consegue escrever algo bonito e isso já te torna memorável. Exibe uma aparência plena, como seda, e este detalhe já faz de ti um exemplo a ser seguido.
Chega de trocar corações quentes por espinhos de rosas.
Saiba que até a grama mais verde pode estar te enganando.
Chega de trocar corações quentes por espinhos de rosas.
Saiba que até a grama mais verde pode estar te enganando.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Sobre gostar
Quando a primeira estrela surgir no céu; quando o primeiro pássaro cantarolar pela manhã.
Não tenha medo.
O vento sopra. E você? Simplesmente decola.
O vento sopra. E você? Simplesmente decola.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Aos seres impróprios
Andava rastejando, angustiada; sempre de rosto abaixado, seguia pela senda.
Perguntavam-na o por quê do excêntrico. Estava destinada a permanecer em uma natureza diferente.
Os anos passaram e acostumara-se ao rótulo que a vida lhe dera.
Ao ser taxada de inadequada, criou sua bolha. Crescera sozinha lá dentro, até que, em certo momento, resolveu afastar as cortinas e retirar um pouco do pó que se acumulara após tanto tempo.
Levantou, abriu a janela, e novamente enxergou os olhos de desprezo e crítica. Porém, desta vez, não se sentia deslocada. Ao contrário! Existiam motivos para mostrar os dentes.
Sorria e erguera a cabeça. Dava de ombros.
Criaram-na do lado contrário e, quer saber? O avesso era seu certo.
Perguntavam-na o por quê do excêntrico. Estava destinada a permanecer em uma natureza diferente.
Os anos passaram e acostumara-se ao rótulo que a vida lhe dera.
Ao ser taxada de inadequada, criou sua bolha. Crescera sozinha lá dentro, até que, em certo momento, resolveu afastar as cortinas e retirar um pouco do pó que se acumulara após tanto tempo.
Levantou, abriu a janela, e novamente enxergou os olhos de desprezo e crítica. Porém, desta vez, não se sentia deslocada. Ao contrário! Existiam motivos para mostrar os dentes.
Sorria e erguera a cabeça. Dava de ombros.
Criaram-na do lado contrário e, quer saber? O avesso era seu certo.
sábado, 23 de junho de 2012
Um coração bonito não é um coração inteiro
Escolha sua cor, afinal, somos borboletas.
Precisamos sentir a dor de rasgar o casulo, ou... conseguiríamos passar o resto de nossas vidas rastejando, sem desfrutar da beleza de um par de asas?
Precisamos sentir a dor de rasgar o casulo, ou... conseguiríamos passar o resto de nossas vidas rastejando, sem desfrutar da beleza de um par de asas?
domingo, 17 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Nesses dias
Sentada na calçada com as pernas esticadas, arrancava as botas.
Com um movimento vertiginoso, retirava o batom dos lábios, apagando a cor que lhe sobressaía.
Restava a maquiagem borrada e a roupa rasgada.
Os olhos brilhantes, feito bolita, não controlavam as lágrimas que deslizavam pelo seu rosto.
O que antes era hábito, agora se via amargo.
Transformara a figura num completo vazio.
Com um movimento vertiginoso, retirava o batom dos lábios, apagando a cor que lhe sobressaía.
Restava a maquiagem borrada e a roupa rasgada.
Os olhos brilhantes, feito bolita, não controlavam as lágrimas que deslizavam pelo seu rosto.
O que antes era hábito, agora se via amargo.
Transformara a figura num completo vazio.
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