quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre gostar

Quando a primeira estrela surgir no céu; quando o primeiro pássaro cantarolar pela manhã.

Não tenha medo.

O vento sopra. E você? Simplesmente decola.
Há muito além dessa colina de incertezas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aos seres impróprios

Andava rastejando, angustiada; sempre de rosto abaixado, seguia pela senda.

Perguntavam-na o por quê do excêntrico. Estava destinada a permanecer em uma natureza diferente.

Os anos passaram e acostumara-se ao rótulo que a vida lhe dera.

Ao ser taxada de inadequada, criou sua bolha. Crescera sozinha lá dentro, até que, em certo momento, resolveu afastar as cortinas e retirar um pouco do pó que se acumulara após tanto tempo.

Levantou, abriu a janela, e novamente enxergou os olhos de desprezo e crítica. Porém, desta vez, não se sentia deslocada. Ao contrário! Existiam motivos para mostrar os dentes.

Sorria e erguera a cabeça. Dava de ombros.

Criaram-na do lado contrário e, quer saber? O avesso era seu certo.

sábado, 23 de junho de 2012

Quando o impulso nos empurrar, não restará mais nada. Talvez uma ponte, talvez apenas o rio.

Um coração bonito não é um coração inteiro

Escolha sua cor, afinal, somos borboletas.

Precisamos sentir a dor de rasgar o casulo, ou... conseguiríamos passar o resto de nossas vidas rastejando, sem desfrutar da beleza de um par de asas?

domingo, 17 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Nesses dias

Sentada na calçada com as pernas esticadas, arrancava as botas.
Com um movimento vertiginoso, retirava o batom dos lábios, apagando a cor que lhe sobressaía.
Restava a maquiagem borrada e a roupa rasgada.
Os olhos brilhantes, feito bolita, não controlavam as lágrimas que deslizavam pelo seu rosto.
O que antes era hábito, agora se via amargo.
Transformara a figura num completo vazio.

Um refúgio

Toda sua vida sentira necessidade de expressar-se, porém seus pés mantinham-se em terras inapropriadas, fazendo com que sua boca permanecesse calada.

Faltava um chão seguro, faltava o ar leve e o cheiro do pão caseiro.

Mas agora tirara a fita isolante e podia gritar; gritava como jamais pudera.

E com um grito no silêncio, ouvia-se tudo o que tinha a dizer.

sábado, 26 de maio de 2012

Borboleta amarela

Lembro de tempos remotos.
Via-me pequena, contando borboletas que sobrevoavam as flores do quintal.
Eram tantas! Diferentes cores e tamanhos. Mas, na mente, guardava as amarelas.
Recordo de sua luz, brilhante, confundindo-se com o calor vindo do sol.
Inconscientemente, misturava-me com seu esplendor.
Guardo aqui dentro, é a mais nobre das lembranças.

Eu não sei se foi o tempo, mas aquela fulgura sumiu.
Não existem mais tantas borboletas colorindo o céu.
Talvez seja eu.
Cresci e esqueci. Deixei de ser aquela pequena perante o simples.

Mas ainda existe o amarelo em mim, essa cor nunca me deixou.
Provavelmente está no fundo, escondida.


Entretanto, sempre me pego pensando nela.
Vai e volta. Reacende em forma de sorriso.

domingo, 20 de maio de 2012

Decesso

Uma trilha de cacos de vidro no asfalto é o que se enxerga.
O ar gélido mantém o tom de luto. Paisagem cinza.
Bocas de espanto; olhares sedentos pela escuridão.
Através de janelas e portas, pessoas espiam para saber o que se passa. Porém, atitude alguma é tomada.
O sangue continua a escorrer.
Nada pronunciado. Nada é resolvido.
Aquele corpo, atirado em meio ao terreno isolado, chamara a atenção dos curiosos. Formara-se uma ignorante aglomeração de pessoas que, agora, divertiam-se com a desgraça.
Seres imundos. Sentiam paz e plenitude ao ver a carcaça presente, como se a falsa comoção fosse lhes render o céu.
Um ser havia sangrado e a ruela estava infestada de hipócritas.
O chão frio, azul. Cena lenta.
E eu ali, perdida. Não havia motivos para estar presente.
Perguntava-me o por que de ainda estarem olhando para a moça ensanguentada. Até se dar conta de quem se tratava.

Bem, também passara a observar.
Olhava daqui, insípida. Olhava para si mesma.
Via os traços inexpressivos e notava as mentes fervendo ao redor do cadáver duro.
Tentava sussurrar algo, mas era em vão.

Já estava morta.